Gastroenterite infecciosa: viral, bacteriana, o que comer, duração e mais

Publicado na categoria Problemas de Saúde em 20 de Dezembro de 2016 | Por Rafaela

O que é a Gastroenterite?

A gastroenterite, também conhecida por “gripe intestinal” ou “gripe gástrica”, caracteriza-se por uma infecção e inflamação no tubo digestivo que afeta o estômago e o intestino delgado. Pode provocar desidratação e, principalmente no inverno, causar epidemias.

É uma doença contagiosa e no frio os riscos de contágio são maiores. Não há relação da doença com a gripe, ao contrário do que muitos pensam. Ela ocorre por meio de bactérias, vírus e parasitas, sendo que o seu contágio pode chegar ao paciente através do consumo de alimentos infectados, água contaminada e até mesmo pelo contato com pacientes infectados.

Entre os sintomas estão: vômitos, diarreia, dor abdominal, febre e calafrios. Aparecem subitamente e duram por um período curto, sendo que a maioria dos pacientes se recuperam sozinhos, mesmo sem qualquer tratamento. Complicações graves são raras.

Leia mais: Tudo sobre gripe: causas, sintomas, tratamento, remédios, prevenção e mais

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é a Gastroenterite?
  2. Causas
  3. Sintomas
  4. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  5. Tratamento para Gastroenterite
  6. Grupos e fatores de risco
  7. Complicações e prognóstico
  8. Prevenção

Causas

É causada por diversos patógenos prejudiciais ao ser humano, bem como ser de origem não-infecciosa. Saiba mais:

Bactérias

Podem estar presentes nos alimentos quando estes são adquiridos, podendo ser:

  • - Carnes vermelhas.
  • - Aves domésticas.
  • - Peixes e crustáceos.
  • - Ovos.
  • - Leite não-pasteurizado e laticínios.
  • - Produtos frescos: contém bactérias, com frequência, que podem causar a gastroenterite aguda.

Quando a bactéria contamina os alimentos, eles tornam-se prejudiciais para serem ingeridos, seja em qualquer tempo durante o cultivo, colheita ou abate, processamento, armazenamento e até mesmo entrega.

É importante lembrar que os alimentos também podem ser contaminados durante o preparo, seja em restaurantes ou cozinhas domésticas. Se a pessoa que prepara o alimento não higienizar bem as mãos antes de fazê-lo, há grandes chances de contaminar a comida, assim como não lavar os demais itens de cozinha, como utensílios, tábuas de corte e superfícies do ambiente que possam entrar em contato com os alimentos crus.

Ao congelar os alimentos, a disseminação da bactéria pode diminuir ou até mesmo ser interrompida, mas nos alimentos refrigerados ou congelados ela volta a ficar ativa quando retornam à temperatura ambiente. A bactéria só pode ser morta se o alimento passar pelo cozimento total.

Entre as bactérias que podem causar a gastroenterite estão:

  • - Salmonella: encontrada em muitos alimentos como carne crua ou mal cozida, aves domésticas, laticínios e frutos do mar, bem como na casca e, também, dentro do ovo.
  • - Campylobacter jejuni: encontrado no frango cru ou mal cozido e no leite não-pasteurizado.
  • - Shigella: ela se propaga de pessoa para pessoa, está presente nas fezes de quem é infectado. Se esses indivíduos não terem uma boa higiene, como lavar as mãos ao usar o banheiro, poderão então contaminar os alimentos que manusearem, assim como a água contaminada com suas fezes também pode contaminar os produtos no campo.
  • - Escherichia coli: composta por várias cepas, sendo que somente poucas causam a doença no homem - a cepa “O157:H7” é a que causa a doença do tipo mais grave. É mais encontrada no hambúrguer cru ou mal passado, suco de frutas, leite não-pasteurizado e produtos frescos.

Vírus

Podem ser transmitidos de pessoa para pessoa e estão presentes nas fezes ou vômitos dos indivíduos contaminados. As pessoas infectadas por vírus podem contaminar alimentos e bebidas, especialmente se elas não tiverem uma boa higiene depois de usar o banheiro.

São fontes mais comuns de viroses transmitidas pelos alimentos os seguintes:

  • - Alimento preparado por alguém infectado pelo vírus.
  • - Moluscos provenientes de águas contaminadas.
  • - Produtos que foram irrigados com água contaminada.

Parasitas

A gastroenterite também pode ser causada por alguns protozoários. Esses parasitas, responsáveis por cerca de 10% de casos da doença, são os seguintes:

  • - Giardia lamblia;
  • - Entamoeba histolytica;
  • - Espécies de Cryptosporidium.

Não-infecciosa

Vários casos da doença são originados de maneira não-infecciosa, podendo ser através de:

  • - Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides;
  • - Alguns alimentos com lactose ou glúten (no caso de intolerantes);
  • Doença de Chron, responsável pelas crises mais severas;
  • - Consequência de determinadas toxinas.

Sintomas

Os principais sintomas que um paciente com gastroenterite deverá apresentar são a diarreia e o vômito. Entre os demais estão:

  • - Cólicas abdominais.
  • - Febre, fadiga, dores de cabeça e dores musculares: ocorre por conta de alguns agentes virais.
  • - Fezes com sangue: geralmente é bacteriana.
  • - Febre.
  • - Enjoo.
  • - Dores abdominais.
  • - Perda de peso.
  • - Perda de apetite.
  • - Desidratação.
  • - Artrite reativa: se desenvolve em 1% dos infectados pelas espécies de Campylobacter.
  • - Síndrome de Guillain-Barré: se desenvolve em 0,1% dos infectados.
  • - Síndrome hemolítico-urémico: ocorre pelas infecções por Escherichia coli ou espécies de Shigella.

Quanto tempo dura a Gastroenterite?

Os sintomas duram, geralmente, de 12 a 72 horas após a contaminação.

Se a doença for de origem viral, ela desaparecerá dentro de uma semana e, quando crianças são infectadas por rotavírus, elas se recuperam normalmente dentro de 3 a 8 dias.

Em regiões mais precárias, de difícil acesso à saúde, é comum que a diarreia dure um tempo maior.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O médico gastroenterologista, clínico geral e infectologista podem diagnosticar a doença de forma clínica, observando os sinais e sintomas do paciente. Entre outros exames que são pedidos estão:

  • - Exame de fezes: quando há presença de sangue nelas e suspeita de intoxicação alimentar.
  • - Exames de diagnóstico: durante a fase de monitorização da doença.
  • - Verificação dos níveis de glicose: para as crianças que sofrem de hipoglicemia.
  • - Verificação dos níveis de eletrólitos e de creatinina: se houver suspeitas de desidratação severa.

Tratamento para Gastroenterite

Geralmente o tratamento não requer medicação. Porém, entre os tipos que o médico poderá recomendar ao paciente estão:

Reidratação

É a principal forma de tratamento da gastroenterite, seja em adultos ou crianças. A primeira maneira de começá-lo é por via oral, dependendo da gravidade do caso, pode necessitar da administração intravenosa ou quando há perda/alteração da consciência do paciente.

Os medicamentos e produtos usados para esse tratamento geralmente são à base de hidratos de carbono complexos (feitos a partir de trigo ou arroz) e podem ser mais eficazes do que aqueles à base de açúcares simples.

As bebidas que têm níveis muito altos de açúcar (refrigerantes e sumos de fruta) não são recomendadas para crianças menores de 5 anos, pois podem contribuir para agravar a diarreia.

Se não for possível fazer esses meios de terapia de reidratação oral, apenas a água pode ser usada. Ainda, crianças pequenas podem precisar recorrer a uma sonda nasogástrica para administrar líquidos a crianças pequenas, o médico especialista é quem avaliará.

O que comer

A dieta para lactentes deve ser a amamentação regular e as crianças alimentadas com fórmula infantil devem retomar a alimentação depois da reidratação com TRO (Terapia de Reidratação Oral).

Durante os episódios de diarreia, as crianças deverão manter uma dieta regular, evitando os alimentos ricos em açúcares simples. É importante saber que a dieta “BRAT”, composta por bananas, arroz, purê de maçã, torradas e chá já não faz parte das recomendações, uma vez que não contém nutrientes suficientes e não apresenta benefícios em relação à dieta regular.

Pesquisadores observaram que alguns produtos podem auxiliar,como:

  • - Probióticos: ajudam a reduzir tanto a duração da gastroenterite quanto a frequência de defecação.
  • - Produtos lácteos fermentados.
  • - Suplementos de zinco: são eficazes tanto no tratamento como na prevenção da diarreia entre crianças nos países desenvolvidos.

Antieméticos

Ajudam no tratamento de vômitos em crianças, vejamos quais são:

  • Ondansetrona: responsável e relativamente eficaz, a administração de uma única dose refere-se a menor necessidade de administração intravenosa de soro.
  • Metoclopramida: pode ser útil, mas, o uso de ondansetrona pode estar associado a uma maior taxa de re-hospitalização em crianças. Apenas se houver supervisão e aprovação médica, a administração do fármaco pode ser feita por via oral.
  • Dimenidrinato: reduz os vômitos, mas não aparenta ter benefícios clínicos significativos.

Antibióticos

Não é costume usá-los no tratamento da gastroenterite. Contudo, quando recomendados, são para os casos dos sintomas serem particularmente graves, ter suspeita da doença, ou ainda, ter isolado uma causa bacterial.

Os médicos geralmente recomendam:

  • - Macrólido: azitromicina.
  • - Fluoroquinolonas: por causa da maior resistência antibiótica do macrólido.
  • Metronidazol ou vancomicina: devido à “Colite pseudomembranosa”, que é causada pelo uso de antibióticos, pode ser resolvida com a interrupção da administração do antibiótico em causa.
  • Tinidazol: entre as bactérias que reagem positivamente ao tratamento estão a Shigella, Salmonella typhi e as espécies de Giardia. Para os casos de espécies de Giardia ou Entamoeba histolytica, esse tratamento é superior e recomendado em relação ao metronidazol.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o uso de antibióticos no tratamento de crianças mais novas que apresentem diarreia com sangue e febre.

Agentes antimotilidade

Os medicamentos antidiarreicos possuem risco teórico de causar complicações. Assim, o uso dele não é recomendado para as pessoas com sangue na diarreia ou diarreia associada a febre.

Os agentes utilizados para esses casos são:

  • Loperamida (análogo opiáceo): usada no tratamento sintomático da diarreia, mas não é recomendado em crianças, afinal, pode penetrar através da barreira hematoencefálica ainda não desenvolvida e provocar intoxicação.
  • Salicilato de bismuto: complexo insolúvel de bismuto trivalente e de salicilato, é usado em casos leves a moderados, embora a intoxicação seja possível teoricamente.

Fitoterapia

Algumas plantas medicinais podem auxiliar no alívio dos sintomas, tais como:

  • - Chá preto;
  • - Cálamo aromático (chá);
  • - Boldo (chá ou comprimidos);
  • - Camomila (chá);
  • - Espinheira santa;
  • - Alcarávia (chá);
  • - Melissa (chá, gotas ou cápsulas);
  • - Menta (chá ou cápsulas);
  • - Mil-folhas (chá);
  • - Mirtilo (suco).

É importante ressaltar que elas não são a forma de tratamento exclusiva para a doença, mas sim auxiliar.

Grupos e fatores de risco

Qualquer pessoa pode ser infectada, mas nos grupos de risco mais vulneráveis estão:

  • - Bebês e crianças.
  • - Gestantes e o feto.
  • - Pessoas com deficiência imunológica: também com maior risco de desenvolver sintomas graves ou complicações da gastroenterite aguda.

Complicações e prognóstico

Na gastroenterite, os ataques constantes de diarreia ou vômito podem causar perda de quantidades significativas de líquidos e sais minerais, ou seja, a desidratação que em casos graves pode levar ao choque.

Ela é a principal complicação da doença e quando o paciente fica nesse estágio, os seguintes sinais aparecem:

  • - Sede excessiva.
  • - Diminuição do número de micções (urinar).
  • - Urina escura.
  • - Letargia, tonturas ou desmaios.

Os sinais de desidratação em bebês e crianças pequenas são um pouco diferentes:

  • - Boca e língua seca.
  • - Ausência de lágrimas ao chorar.
  • - Fraldas secas por 3 ou mais horas.
  • - Febre alta.
  • - Comportamento sonolento ou debilitado.
  • - Olhos e bochechas encavados.

Outras complicações existem, porém são mais raras. Uma crise de gastroenterite aguda pode levar a desordens como:

  • - Artrite reativa.
  • - Síndrome do intestino irritável.
  • - Síndrome de Guillain-Barré (fraqueza ou paralisia muscular).

Leia mais: Síndrome de Guillain-Barré: Sintomas, Diagnósticos, Tratamentos, Recuperação, Causas e mais

Prevenção

A principal prevenção da doença é cuidar com o armazenamento, cocção, limpeza e manipulação dos alimentos, que devem ser feitas adequadamente. E também:

  • - Refrigerar ou congelar imediatamente os alimentos perecíveis, crus ou cozidos, que possam estragar.
  • - Higienizar bem as mãos antes de mexer com os alimentos por pelo menos 20 minutos.
  • - Frutas e vegetais devem ser lavados em água corrente antes de comer, cortar ou cozinhar. Uma escova pode ser usada com água corrente para limpar frutas e vegetais com casca grossa, firme.
  • - Utensílios e superfícies devem ser lavados com água quente e sabão antes e depois de serem utilizados para preparar os alimentos.

Agora que você já sabe o que é a gastroenterite e como se prevenir dela, compartilhe este artigo para que outras pessoas possam tomar os mesmos cuidados!

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gastroenterite
https://criasaude.com.br/N2020/doencas/gastroenterite.html
http://www.esadi.com.br/aparelho-digestivo/doenca/gastroenterite/
http://www.saudemedicina.com/gastroenterite-causas-sintomas-e-tratamento/
http://www.gastroecirurgia.com/83-outros/120-gastroenterite-causas,-sintomas,-tratamento-e-preven%C3%A7%C3%A3o
https://www.tuasaude.com/gastroenterite/

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