O que é Botulismo alimentar, sintomas, prevenção e tratamento

Publicado na categoria Problemas de Saúde em 16 de Dezembro de 2016 | Por Rafaela

O que é o botulismo?

O botulismo é uma doença rara, produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que encontra-se no solo e nos alimentos mal conservados. A intoxicação alimentar por esta bactéria pode produzir danos graves nos nervos e músculos, o que chamamos de botulismo. É, ainda, potencialmente fatal.

Esse tipo de bactéria é um pequeno bacilo Gram-positivos flagelado, medindo cerca de 8 micrômetros por 3 e produz esporos e neurotoxinas, relacionados com o gênero Bacillus. Seu habitat natural é o solo e a água não tratada.

A neurotoxina produzida funciona como uma enzima metaloprotease, a qual destrói as proteínas envolvidas na exocitose do neurotransmissor acetilcolina na placa nervosa motora.

Sua ação provoca a paralisia dos músculos e, quando extensa, pode ocasionar a paralisia do diafragma impedindo a respiração normal e levar o indivíduo contaminado à morte por asfixia.

É uma doença de notificação compulsória. Entre os anos de 1999 a 2011 foram registrados 68 casos no Brasil, com 20 óbitos, uma mortalidade próxima de 30%. Dados ainda não definitivos de 2012 indicam mais 4 casos de botulismo e 2 mortes durante o ano.

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Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é o botulismo?
  2. Causas e tipos
  3. Sintomas do botulismo
  4. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  5. Tratamento para botulismo
  6. Grupos e fatores de risco
  7. Complicações e prognóstico
  8. Prevenção e Transmissão do botulismo

Causas e tipos

É causado pela bactéria Clostridium botulinum, a qual pode ser encontrada no solo e em água não tratada. Os esporos que ela produz sobrevivem até em ambientes com pouco oxigênio, como alimentos em conserva ou enlatados.

Nesses ambientes, a toxina ingerida, mesmo que em pouquíssima quantidade, pode causar envenenamento grave. Foram descritos 8 tipos de toxinas (A, B, C1, C2, D, E, F, G), das quais todos, exceto C2 (citotoxina de importância clínica desconhecida), são neurotoxinas.

Os tipos A, B, E causam com maior frequência doença no homem, enquanto o tipo F é mais raro. Já o tipo G esteve associado à morte súbita, e não à doença neuroparalítica, quando os tipos C e D causam doença em animais.  

As causas de botulismo dependem do tipo específico da doença, sendo:

Botulismo infantil ou do lactante

É o tipo mais comum da doença e acomete crianças de aproximadamente 2 a 6 meses de idade. Neste caso, a bactéria causadora da doença se multiplica e libera toxinas dentro do trato gastrointestinal do bebê, podendo causar graves complicações à saúde dele.

Botulismo alimentar

Este se contrai por meio da ingestão de alimentos contaminados com a bactéria, o que, geralmente, se prolifera em ambientes com pouco oxigênio, como em alimentos enlatados.

Os alimentos geralmente encontrados contaminados pela bactéria são:

  • - Vegetais em conservas caseiras.
  • - Carne de porco e presunto.
  • - Peixe defumado ou cru.
  • - Mel.

Botulismo das feridas

Para este tipo, as bactérias entram no organismo por meio de lesões na pele, machucados e outras feridas, e quando liberam as toxinas, levam a uma grave infecção.

Sintomas do botulismo

Os sinais e sintomas comuns do botulismo são:

  • - Tontura.
  • - Boca seca.
  • - Fotofobia.
  • - Queda da pálpebra.
  • - Dificuldade para fazer suas necessidades.
  • - Paralisia muscular progressiva, que inicia na cabeça e depois vai descendo pelo corpo.
  • - Dificuldade em engolir.
  • - Visão dupla.
  • - Dificuldade em respirar.

Os sintomas podem ter início de 3 horas a 7 dias após a contaminação com a bactéria, sendo o período de incubação dela, geralmente, de algumas horas até 8 dias.

O tempo de incubação vai depender muito da quantidade de toxina que foi liberada dentro do organismo e do tipo da doença, que pode ser o infantil e o alimentar, variando também os sintomas conforme cada um. Vejamos:

Botulismo infantil

Quando relacionado à ingestão de alimentos contaminados, como o mel, os sintomas costumam começar cerca de 18 a 36 horas após a contaminação do organismo do bebê.

Os sintomas que a criança poderá apresentar são:

  • Constipação (muitas vezes o primeiro sinal).
  • - Movimentos flexíveis, devido à fraqueza muscular e dificuldade para controlar a cabeça.
  • - Choro fraco.
  • - Irritabilidade.
  • - Baba excessiva.
  • - Pálpebras caídas.
  • - Cansaço.
  • - Dificuldade de sucção ou alimentação.
  • - Paralisia.

Botulismo alimentar

Assim como o botulismo infantil, os sintomas deste tipo de botulismo começam tipicamente algumas horas após a toxina entrar no organismo. Contudo, pode variar durando até vários dias - isto vai depender da quantidade de toxina ingerida.

Os sinais e sintomas mais comuns são:

  • - Dificuldade para engolir ou falar.
  • - Boca seca.
  • - Fraqueza facial em ambos os lados da face.
  • - Visão turva ou dupla.
  • - Pálpebras caídas.
  • - Dificuldade para respirar.
  • - Náuseas, vômitos e cólicas abdominais.
  • - Paralisia.

Botulismo das feridas

A maioria das pessoas usuárias de drogas injetáveis desenvolvem botulismo por feridas. Na maioria dos casos é difícil estimar em quanto tempo os sinais e sintomas se manifestarão.

Porém, ao penetrar na corrente sanguínea, por exemplo por meio de um machucado na pele, as toxinas vão se espalhar muito mais rapidamente pelo corpo, e os sinais e sintomas mais comuns são bem semelhantes aos do tipo alimentar, como:

  • - Dificuldade em engolir ou falar.
  • - Fraqueza facial em ambos os lados da face.
  • - Visão turva ou dupla.
  • - Pálpebras caídas.
  • - Dificuldade em respirar.
  • - Paralisia.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

Os médicos especialistas que podem ser procurados para diagnosticar e tratar o botulismo poderão ser o clínico geral ou o infectologista. O diagnóstico inicial é realizado por exame físico, feito pelo próprio médico no consultório.

Neste primeiro exame, o especialista poderá identificar:

  • - Ausência ou diminuição dos reflexos do tendão profundo.
  • - Ausência ou diminuição do reflexo faríngeo.
  • - Pálpebra caída.
  • - Perda da função/sensibilidade muscular.
  • - Intestino paralisado.
  • - Comprometimento da fala.
  • - Retenção urinária com possível incapacidade de urinar.

Além disso, outros exames que o médico poderá solicitar ao paciente com suspeita de botulismo são:

  • - Exames de sangue: para identificar a toxina no organismo.
  • - Exame de fezes.
  • - Exames laboratoriais: no alimento suspeito de conter a bactéria transmissora de botulismo.
  • - Diagnóstico clínico, feito pelos sintomas:
  1. Paralisia muscular progressiva: iniciando-se pela face, ptose palpebral (fecha o olho).
  2. Dificuldade de deglutição.
  3. Visão dupla.

Os sintomas progridem pela musculatura, causando dificuldade motora e de respiração, podendo também serem confundidos com doenças nervosas e diversas intoxicações (por pesticidas, por exemplo), o que às vezes retarda o tratamento.

É fundamental realizar um diagnóstico precoce, a fim de deter a evolução da doença, como a “Doença neuroparalítica grave”, que não é contagiosa, e resulta da ação de uma potente toxina produzida pela bactéria da doença.

A letalidade do botulismo é alta e deve ser considerada uma emergência médica, bem como de saúde pública. Para que este risco e as sequelas sejam minimizados, é essencial que o diagnóstico seja feito rapidamente e que o tratamento seja iniciado.

Tratamento para botulismo

O tratamento requer a administração de uma anti-toxina (antídoto) imediata ou então o soro polivalente; se o tratamento for tardio, pode ser que ele não funcione.

Caso o paciente apresente déficit para respirar, então deverá ser usada uma máquina de respiração artificial até a paralisia terminar, tal fato pode ter duração de alguns dias.

Durante o tratamento deve-se fazer uma lavagem estomacal e intestinal para garantir que não reste nenhum alimento contaminado no organismo do paciente contaminado, a fim de evitar maiores danos. A ingestão de antibióticos não tem nenhum efeito em caso de botulismo.

Grupos e fatores de risco

Há grupo e fatores de risco específicos para cada tipo de botulismo. São eles:

  • - Botulismo infantil: o maior e único fator de risco é a idade; entre 2 e 6 meses, quando exposto aos esporos bacterianos de botulismo.
  • - Botulismo alimentar: ingestão de alimentos mal conservados ou enlatados vencidos é o principal fator de risco para contrair a doença.
  1. Ingestão de água contaminada com a bactéria.
  2. Estão no grupo risco as pessoas que vivem em regiões que não dispõem de saneamento básico adequado.
  • - Botulismo das feridas: ter uma lesão na pele e ser exposto aos esporos da bactéria.
  1. Ser usuário de drogas injetáveis.

Complicações e prognóstico

Pode ser que durante ou após o tratamento o paciente apresente complicações, por isso é importante que ele fique no hospital em observação.

A toxina botulínica afeta o controle motor podendo causar consequências, as quais podem ser:

  • - Insuficiência respiratória: é a forma mais comum de morte causada por botulismo.
  • - Dificuldade para falar.
  • - Dificuldade para engolir.
  • - Fraqueza de longa duração.
  • - Fadiga.
  • - Pneumonia por aspiração e infecção.
  • - Problemas no sistema nervoso em geral.

Se o tratamento não for iniciado cedo, o paciente poderá sofrer complicações mais graves, como:

  • - Paralisia dos membros e dos músculos respiratórios: precisando respirar por aparelhos por um longo período.
  • - Morte.

Leia mais: Pneumonia: sintomas, formas de tratamento e diagnóstico

Prevenção e Transmissão do botulismo

As prevenções para o botulismo são simples e valem ser feitas, afinal, todo cuidado é pouco! Veja quais são elas:

  • - Não oferecer mel ao bebê com menos de 1 ano de idade: é um dos alimentos mais perigosos se for mal conservado.
  • - Não consumir alimentos enlatados cuja embalagem esteja danificada, com a tampa estufada ou enferrujada.
  • - Não consumir alimentos industrializados que apresentem líquido ou vidro turvo.
  • - Ferver por 5 minutos todos os alimentos enlatados antes do consumo, especialmente o palmito, que é o principal causador do botulismo em adultos.
  • - Preparar os alimentos caseiros com um rigoroso cuidado de higiene.

Agora que você já sabe como é fácil evitar o botulismo, compartilhe este artigo para que mais pessoas também possam se informar e tomar cuidados!

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Botulismo
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782008000100049
http://www.mdsaude.com/2013/01/botulismo.html
http://brasilescola.uol.com.br/doencas/botulismo.htm
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/botulismo
https://www.tuasaude.com/botulismo/

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