O que é Psicose, tipos, causas, sintomas, tratamento, tem cura?

Publicado na categoria Problemas de Saúde em 21 de Dezembro de 2016 | Por Paloma

O que é psicose?

A psicose é um estado mental patológico, no qual o indivíduo perde o contato com a realidade,. e pode causar alucinações, alterações de personalidade, desordem de pensamento, comportamento incomum, dificuldades de interação social e manter atividades cotidianas. O termo psicose é derivado do grego “psique”, que significa mente, e “ose”, que significa condição anormal. Portanto, é uma condição anormal da mente.

Ela não pode ser relacionada a nenhuma experiência humana, como outras doenças emocionais, pois esse transtorno não encontra base em nenhuma vivência pessoal, nem mesmo a sonhos irreais.

Segundo Jaspers, filósofo e psiquiatra alemão, o transtorno é psicologicamente incompreensível, pois a pessoa que o sofre apresenta características antissociais e incomuns, assim como alucinações, delírios e alterações na consciência do “eu” - e apesar de ser um transtorno mental, não apresenta nenhuma alteração na esfera cognitiva do indivíduo. A memória e o nível de consciência não serão prejudicados e, caso sejam, será devido ao uso de substâncias psicoativas ou a outras alterações clínicas, como o delirium, um transtorno que causa distúrbios temporários na consciência, reduz a habilidade de atenção, aumenta o sono e produz um alto nível de agitação e irritabilidade.

Na psicanálise, a psicose se dá por um funcionamento psíquico que obedece um princípio de rejeição primordial. Essa rejeição se baseia na perda das idéias e pensamentos próprios, e os pensamentos passam a se caracterizar como estranhos ou não ocorridos. Já para o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, o DSM, a psicose é considerada um sintoma de perturbação mental, mas não é reconhecida como uma doença em si.

A doença ocorre com mais frequência entre o fim da adolescência e o início da vida adulta, entre os 14 e 28 anos. Qualquer pessoa pode sofrer dela e, quando ocorre sem precedentes, é chamado de episódio ou surto psicótico. Porém, o indivíduo também pode carregar a doença pelo resto da vida e, nesse caso, ela é chamada de psicose crônica. Estima-se que de cada cem pessoas da população, três poderão ter um episódio durante a vida.

Existem diferentes intensidades de psicose e cada uma delas define o nível de perda de contato do indivíduo com a realidade.  A psicose tem início quando o indivíduo passa a se relacionar com objetos irreais, modifica suas ideias, atitudes e visões do mundo. A partir de então, a realidade perde o sentido para o paciente e ele pode suspeitar de situações absurdas ou de pessoas que não existem. Outra característica da psicose é a mania de perseguição.

Índice - neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é psicose?
  2. Tipos de psicose
  3. Causas da psicose
  4. Grupos de Risco
  5. Sintomas da psicose
  6. Diagnóstico
  7. Tratamento e cura da psicose
  8. Remédios
  9. Convivendo
  10. Complicações
  11. Prevenção

Tipos de psicose

Existem inúmeros tipos de psicose e elas podem ser categorizadas em três grupos principais:

  • - Psicoses causadas por uma condição mental ou psicológica;
  • - Psicoses causadas por uma norma sanitária médica geral;
  • - Psicoses causadas por abuso de drogas e álcool.

Alguns tipos de psicoses, mais conhecidas, são:

Induzidas por drogas

Alguns usuários de drogas podem ter comportamentos psicóticos agravados pelas drogas, que piora o estado mental do indivíduo.

Psicose orgânica

É causada por lesões cerebrais ou enfermidades físicas que alteram o funcionamento do cérebro. Algumas causas que podem levar a este tipo de psicose são: AIDS, encefalite e reação química a remédios em pessoas em procedimento pós-cirúrgico.

Psicose reativa breve

É a que os sintomas aparecem subitamente, e é causada por um evento estressante para uma pessoa muito sensível. Neste caso, a pessoa se recupera em poucos dias.

Esquizofrenia

O tipo mais conhecido, é  o que causa algumas mudanças psicóticas por pelo menos 6 meses e possui diferentes tipos, como paranóide, hebefrênica, catatônica e simples.

Transtorno bipolar

Antigamente chamado de psicose maníaco-depressiva, o transtorno bipolar causa alterações extremas de humor, ora eufórico e ora depressivo. Em sua fase eufórica, o indivíduo pode se sentir como um deus onipotente e faz coisas fora da realidade, já em sua fase depressiva, pode escutar vozes que lhe dizem para se matar.

Transtorno esquizoafetivo

O indivíduo também sofre alterações extremas como no bipolar e na esquizofrenia, porém ele não se encaixa em nenhum dos dois diagnósticos.

Leia mais: O que é Esquizofrenia (Paranóide e mais tipos), sintomas, tem cura?

Causas da psicose

Ainda não há causas específicas para a psicose, porém acredita-se que fatores sociais como o estresse da vida em grandes cidades, o abuso de drogas e o isolamento social possam estar relacionados à doença. A interação entre alguns desses fatores, associados com fatores biológicos ou psicológicos pode produzir um efeito dominó, causando a psicose.

As causas da psicose também podem ser classificadas em três tipo:

Causada por condições mentais

  • - Experiências traumáticas, como alto nível de estresse, ansiedade e abuso sexual;
  • Depressão grave;
  • - Esquizofrenia;
  • - Diferenças físicas no cérebro, que pessoas com transtorno bipolar aparentam ter;
  • Privação do sono;
  • - Estresse psicológico severo;
  • - Desequilíbrio entre os neurotransmissores;
  • - Desequilíbrio hormonal.

Causada por condições médicas

  • Alzheimer ou outras demências;
  • - Cisto no cérebro ou tumores cerebrais;
  • Acidentes vascular cerebrais;
  • - AIDS;
  • Síflis;
  • - Infecções e cânceres no sistema nervoso central;
  • - Lúpus;
  • - Insuficiência renal ou hepática;
  • - Indivíduos expostos a agressões precoces na gestação e no parto podem ter um neurodesenvolvimento anormal;
  • Epilepsia;
  • - Histórico familiar de parentes que já tiveram psicose estão mais suscetíveis a doença.

Causada por substâncias

Abuso de drogas como:

  • - Cocaína;
  • - Amfetamína;
  • - Metanfetamína;
  • - MDMA (ecstasy);
  • - Mephedrone (MCAT);
  • - Maconha;
  • - LSD;
  • - Cogumelos alucinógenos;
  • - Ketamina;
  • - Abstinência e abuso de álcool.

Grupos de Risco

Estima-se que 1% das pessoas entre 14 e 28 anos de idade são consideradas de alto risco clínico para esse transtorno e que, pelo menos, 20% dessas pessoas sofreram um episódio psicótico.

É possível identificar quem irá fazer parte destes 20% antes mesmo da psicose surgir, pois pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia e do Centro de Pesquisa da IBMT T. J. Watson apresentaram que a análise computadorizada da fala pode classificar mais precisamente o risco da doença.

Esse novo programa se demonstra mais eficaz do que avaliações clínicas, por identificar se jovens poderão desenvolver a psicose em um prazo de dois anos e meio.

Sintomas da psicose

Os sinais e sintomas da psicose são muito diversos, mas podem ser compreendidos a partir de mudanças nas características pessoais e no comportamento do indivíduo. Eles, em um primeiro episódio, começam pouco perceptíveis. O indivíduo pode descrever pequenas mudanças, como dizer que não consegue sentir como antes, que tem alguns pensamentos perturbadores, que sente insônia e que algumas vezes se sente saindo da realidade.

Alguns sintomas conhecidos são:

Pensamentos confusos

O modo que o indivíduo se expressa costuma ser alterado, sem conexão entre as ideias. Nesses casos, algumas vezes, as frases emitidas podem não fazer sentido, podem haver dificuldades para se concentrar, ter problemas de memória recente e a fala pode ficar muito rápida ou muito lenta.

Delírios

O indivíduo pode desenvolver ideias ou crenças não baseadas na realidade. A intensidade desse sintoma progride com o curso da doença, no início podem haver dúvidas sobre estas ideias falsas, porém, com o tempo, o indivíduo se convence completamente. A mania de perseguição se encaixa neste tipo de sintoma.

Alucinações

O indivíduo tem percepções falsas da realidade, como ouvir vozes, ver coisas que não existem, sentir cheiros esquisitos e também podem ter sensações táteis desagradáveis.

Alterações sentimentais

O indivíduo sofre alterações em seus sentimentos sem nenhum motivo aparente. São comuns, nesse caso, as oscilações de humor.

Alteração no comportamento

Essas alterações são muito comuns. Inicialmente, costumam se manifestar na queda do rendimento no trabalho ou na escola, a higiene também pode ser afetada, alguns pacientes podem passar a não tomar banho e escovar os dentes. Perda de apetite e alterações no sono também são muito comuns.

Agitação e agressão

A agitação pode ocorrer no paciente através de sintomas como alucinações e pensamentos confusos. Já as agressões podem ocorrer através de sintomas como os delírios.

Diagnóstico

Se perceber que algum membro da sua família está apresentando sintomas de psicose, leve-o ao neurologista, ao psiquiatra ou ao psicólogo, pois eles são os especialistas que podem diagnosticá-lo.

O diagnóstico mais comum é feito pela avaliação psiquiátrica, que consiste na realização de diversas perguntas ao paciente e relatos sobre seu comportamento. Também existem exames que podem diagnosticar a psicose, como exames de sangue que identificam os níveis de hormônio e eletrólitos na corrente sanguínea, além de detectar infecções, como a sífilis. Além desse pode-se diagnosticar a psicose a partir de raios-X, ressonância magnética e testes para identificar a presença de drogas no organismo.

Para facilitar o diagnóstico psiquiátrico, pode-se levar informações como os sintomas que foram apresentados e quanto tempo eles duraram, um histórico médico que inclua outras condições que o paciente possa ter e medicamentos que ele toma, e, se possível, vá acompanhado para que a pessoa também possa dar o seu parecer sobre os sintomas.

Tratamento e cura da psicose

Não existe uma cura definitiva para a psicose, pois todos estão suscetíveis à volta de um transtorno psicótico. Porém, há tratamentos que ajudam a controlar os sintomas e estabilizar os padrões de comportamentos e pensamentos do indivíduo.

O tratamento depende unicamente da causa e do tipo de psicose apresentada. O mais comum é o tratamento através de remédios antipsicóticos combinado com terapias, um método muito importante para o tratamento.

Alguns tratamentos bastante usados são:

  • - Medicamentos prescritos por médicos psiquiatras;
  • - Orientação familiar;
  • - Terapia ocupacional e familiar;
  • - Grupos de ajuda;
  • - Dieta vegetariana;
  • - Atividades físicas ao ar livre;
  • - Hidroterapia.

Em casos em que o paciente apresenta risco para si ou para outras pessoas, ele poderá ser hospitalizado com o uso de medicamentos tranquilizantes, o que o leva a um estado de relaxamento de forma mais rápida.

Remédios para Psicose

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica. 

Convivendo

Para que o paciente consiga conviver bem é necessário que siga a risca as orientações médicas, obedecendo o tratamento. O acompanhamento médico e psiquiátrico frequente é de extrema necessidade para o paciente e para a família.

Um prognóstico favorável envolveria um início tardio da doença, pois assim o indivíduo já estaria inserido socialmente e não sofreria com problemas psicossociais. O início precoce, como a esquizofrenia na infância, causam problemas de adaptação na sociedade, comportamentos autísticos, e pouco suporte familiar e social.

A ocorrência dos sintomas na adolescência aumentam os riscos de transtornos de conduta e comportamento. Quando esses sintomas são atribuídos à conduta normal da idade, podem ocorrer riscos de suicídio. Os adolescentes também podem se tornar retraídos, perder o interesse em atividades que antes sentiam prazer em fazer, tornar-se menos falantes e curiosos e, normalmente, passam a maior parte do tempo na cama.

Leia mais: O que é Autismo, sintomas, tipos (infantil, leve) e mais

Complicações

A principal complicação da psicose é a convivência em sociedade, pois o paciente com a doença tem grandes dificuldades de viver normalmente, podendo, às vezes, não serem capazes de cuidar de si mesmos.

A psicose afeta diretamente o desempenho do indivíduo e impede o mesmo de exercer algumas tarefas básicas do dia a dia com eficiência, além de afetar na socialização do paciente. Por esses motivos, é muito comum que o paciente desenvolva a prática de automutilação - 1 a cada 10 pessoas que sofrem de psicose também sofre por automutilação.

Você poderá identificar essa questão a partir de sinais como:

  • - Cortes e roxos inexplicados, além de marcas de queimadura de cigarro; normalmente o paciente se mutila nas áreas do quadril, braços, coxas e peito.
  • - Caso o paciente utilize somente roupas que tampe todo o corpo, até mesmo em dias quentes.

Outra complicação recorrente é o suicídio. Estima-se que 1 em cada 5 pessoas com psicose tentaram o suicídio e que 1 em cada 25 pessoas conseguiram suicidar-se. Essa vontade pode ser decorrente da depressão e, caso você conheça alguém com este desejo, recomende ajuda a ela, profissional e emocional.

O uso dos medicamentos antipsicóticos também pode causar complicações, como:

  • - Ganho de peso, causado pelo aumento do apetite ou pela diminuição do metabolismo;
  • - A ocorrência de síndromes metabólicas, que aumentam os níveis de açúcar no sangue, colesterol e pressão sanguínea, e podem causar obesidade, diabetes tipo 2, doenças do coração e ataque cardíaco;
  • - Discinesia Tardia, um distúrbio de movimento no qual o paciente passa por experiências de movimentos involuntários, como tiques, tremores e espasmos.

Prevenção

A prevenção da doença depende da causa e do tipo de psicose apresentado. Uma forma conhecida de prevenir a doença é evitar o consumo excessivo de álcool e cortar completamente o uso de drogas. A maconha, por exemplo, é conhecida por aumentar os níveis de dopamina no cérebro e, se usada por longos períodos, pode causar danos permanentes. Estima-se que 40% dos usuários da maconha são mais prováveis de desenvolver doenças psicóticas, como a esquizofrenia.

Passar por longos períodos de estresse pode levar à depressão e, ambos, estresse e depressão, são de alto risco para a psicose. Para reduzir o estresse e prevenir a depressão, você pode:

  • - Concentrar-se em pensamentos positivos;
  • - Fazer exercícios regularmente;
  • - Aprender exercícios de relaxamento e utilizá-los em momentos de estresse;
  • - Praticar yoga, meditação ou fazer uma massagem para aliviar a tensão e a ansiedade;
  • - Participar de grupos de auto-ajuda para discutir sobre seus sentimentos e preocupações;
  • - Evitar o uso de nicotina, drogas e álcool;
  • - Consultar-se com um médico caso os sintomas aumentem.

Apesar de afetar diretamente a vida do paciente, a psicose tem tratamento e ele pode ajudar na diminuição dos sintomas do quadro psicótico. Compartilhe este texto com os seus amigos para que eles possam saber como prosseguir se conhecerem alguém que apresente os sintomas da psicose.

Referências:

http://www.minhavida.com.br/saude/temas/psicose
http://abp.org.br/portal/clippingsis/exibClipping/?clipping=11176
http://www.copacabanarunners.net/psicose.html
http://www.psiquiatria.unifesp.br/d/pep/tratamentos/
http://www.infoescola.com/doencas/transtorno-psicotico/
http://www.mdsaude.com/2008/12/psicose.html
https://www.significados.com.br/psicose/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicose
http://ofuturodascoisas.com/quem-ira-desenvolver-psicose-programa-que-analisa-fala-pode-prever-o-risco/
http://suasaudemental.com/psicose/
http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2s0/v80n2Sa02.pdf
https://en.wikipedia.org/wiki/Delirium
http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=149
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_medicamentos_psiqui%C3%A1tricos_de_acordo_com_sua_indica%C3%A7%C3%A3o

© 2017 Consulta remédios. Todos os direitos reservados.

Receba nossos conteúdos diretamente em seu email

Ao concluir você aceita a nossa Política de Privacidade

Comentários