Saúde

Sífilis: veja o que é, como prevenir e qual é o tratamento

Por Redação Minuto SaudávelPublicado em: 30/08/2018Última atualização: 01/09/2020
Por Redação Minuto Saudável
Publicado em: 30/08/2018Última atualização: 01/09/2020
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O que é sífilis?

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela infecção da bactéria Treponema pallidum ao invadir o organismo. O desenvolvimento da doença ocorre em 4  fases — sífilis primária, secundária, latente e terciária.A transmissão do agente infeccioso acontece através de relações sexuais desprotegidas com uma pessoa infectada. É importante ressaltar que qualquer tipo de contato sexual sem proteção (vaginal, anal ou oral) é capaz de transmitir a infecção.O contágio também pode ocorrer no parto ou ainda durante a gestação, quando a mãe é portadora da bactéria e a transmite para o bebê (chamada de sífilis congênita).É possível que o paciente tenha sífilis e não saiba ou não reconheça os sintomas, pois a doença tem ciclos sintomáticos. Ou seja, há momentos em que os sintomas podem desaparecer e passar longos períodos sem outras manifestações, mas a infecção continua latente.A apresentação da sífilis primária é geralmente através de pequenas feridas que não doem, não coçam ou não ardem na região da boca ou genitais e que desaparecem espontaneamente, mesmo sem tratamento.Na segunda fase da doença, (sífilis secundária) podem se manifestar manchas por todo o corpo — que podem se assemelhar muito às alergias comuns —  e, também, somem sozinhas.A aparente melhora do quadro dá início à sífilis latente, que é a 3ª fase. Apesar de não ser muito comum, há pacientes que migram diretamente para a 4ª fase.Mas, em geral, o desenvolvimento da doença passa por um período assintomático, que pode ser dividido em recente (a infecção ocorreu há menos de 2 anos) e tardia (o paciente está infectado há mais de 2 anos).Na 4ª fase, ou sífilis terciária, geralmente, há lesões e alterações na pele, ossos, sistema cardiovascular e neurológico. O quadro é grave e, principalmente quando acomete o sistema nervoso, pode levar à morte.Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:
  1. O que é sífilis?
  2. IST ou DST?
  3. Causas
  4. Transmissão
  5. Sífilis recorrente
  6. Fatores de risco
  7. Estágios e sintomas
  8. Neurossífilis
  9. Sífilis congênita (na gravidez)
  10. Sífilis ocular
  11. Como é feito o diagnóstico?
  12. Exames
  13. Tem cura?
  14. Qual o tratamento?
  15. Medicamentos
  16. Convivendo
  17. Prognóstico
  18. Complicações
  19. Como prevenir a sífilis?
  20. Perguntas frequentes
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IST ou DST?

A sífilis é uma IST, ou Infecção Sexualmente Transmissível. Antes, usava-se a terminologia DST (Doença Sexualmente Transmissível).Atualmente é adotada a terminologia infecção, pois o paciente pode ser portador do agente infeccioso, podendo transmitir a infecção, mas não manifestar sintomas (ou seja, não caracterizando uma doença clinicamente ativa).
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Causas

A sífilis é desencadeada pelo contato com a bactéria Treponema pallidum, que pode ocorrer quando a pessoa saudável tem contato sexual (vaginal, anal ou oral) com um paciente portador da bactéria.Também pode ser transmitida para o bebê na gestação ou parto (chamada de transmissão vertical), quando a mãe está infectada.Descoberta em 1905, a bactéria Treponema pallidum parece um espiral fino (semelhante aqueles de caderno), com aproximadamente 8 micrômetros de comprimento.O agente é pouco resistente fora do organismo e, por isso, quando é expelido do corpo, rapidamente se resseca e morre. Além disso, em contato com desinfetantes, sabão e produtos de limpeza, o T. pallidum tem alta sensibilidade e sobrevive por pouco tempo.Se ele estiver depositado em locais ou objetos úmidos, sua vida é de aproximadamente 10 horas.Fazer sexo sem preservativo é a causa mais comum de contágio e transmissão da bactéria da sífilis.Apesar de haver uma conscientização maior nos últimos anos sobre a importância de usar camisinha durante o sexo, o problema ainda reside no fato de que muita gente considera contato sexual apenas quando ocorre penetração.Essa falsa crença faz com que o sexo oral seja uma das vias mais frequentes de contaminação pela sífilis, segundo estatísticas do Instituto Emílio Ribas (centro de referência em doenças sexualmente transmissíveis do Hospital das Clínicas de São Paulo).Entre 2014 e 2015, o Brasil apresentou um surto da infecção, em que os índices de contágio subiram mais de 32%.

Transmissão

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as formas mais comuns de transmissão da sífilis são o sexo sem proteção (incluindo qualquer ato sexual, mesmo sem penetração) e transmissão vertical (no parto ou na gestação, entre mãe e bebê).O contágio é favorecido nos estágios iniciais da infecção. Ou seja, quanto mais tempo a pessoa é portadora da infecção, menores as possibilidades de transmiti-la.Além do contato sexual desprotegido, a bactéria pode infectar a pessoa saudável através de pequenas lesões, feridas ou cortes na cavidade oral.Por isso, toda relação sexual precisa do uso de preservativos masculinos ou femininos, mesmo que não ocorra penetração.É possível ainda que o paciente tenha sido infectado com a sífilis através de transfusão de sangue ou transplante de órgãos. Esses casos são bastante raros, logo que sangue e órgãos são previamente avaliados e analisados.Os casos de transmissão por contato com fluidos no ambiente, seringas compartilhadas e beijo (se houver feridas ou microlesões na boca) também podem ocorrer. Porém, são menos comuns, visto que a bactéria não sobrevive por muito tempo nestas condições.Vale lembrar que a sífilis é uma doença não imunizante, ou seja, mesmo quem já contraiu a bactéria pode ser infectado novamente.
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Sífilis recorrente

Segundo o boletim do Ministério da Saúde de 2017 sobre a sífilis, o Brasil apresentou um aumento constante e significativo dos casos da doença nos últimos 5 anos.A maior incidência de casos congênitos e adquiridos é atribuída a fatores como o maior acesso aos testes rápidos e gratuitos, má informação da sociedade, além da deficiência de distribuição da penicilina aos postos e unidades de saúde.Por outro lado, é importante frisar que o descaso quanto ao uso de preservativos, seja em relações estáveis ou não, é um dos fatores que pode ter impacto na elevação das taxas.No ano de 2016, mais de 87 mil casos de sífilis adquirida, mais de 37 mil em gestantes e mais de 20 mil congênita foram notificados, resultando em 185 mortes.É importante ressaltar que os estados que apresentam maiores taxas de infecção são Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e não estão entre as regiões com IDH mais baixas.Em 2016, houve 87.593 notificações de sífilis adquirida, sendo que 53,5% ocorreram no sudeste, 24,2% no sul, 11,6% no Nordeste,6,1% no Centro-Oeste e 4,5% no Norte.Considerando que as regiões sudeste e sul possuem alto IDH, concentram as maiores taxas de escolaridade e possuem centros urbanos de referência, é possível notar que a sífilis tem aumentado em todas as classes sociais.A região sudeste apresenta um dos maiores IDH de educação e renda, sendo considerada uma faixa de alto desenvolvimento humano, apontando que o aumento dos casos de sífilis não se liga a fatores socioeconômicos.O sul também tem um alto índice de IDHM, sendo que mais de 37% dos municípios da região sul estão acima da média brasileira de educação e, segundo o Ministério da Saúde, teve a segunda maior elevação dos casos de sífilis em 2016.A queda no uso de preservativos é apontada como uma das causas principais, sobretudo entre o público jovem, pois a maior parte dos diagnósticos recentes foi na faixa etária entre 20 e 39 anos, ou seja, adultos jovens.Comportamentos de risco, como o sexo desprotegido, estão entre as maiores preocupações e, por isso, têm sido alvo de campanhas de conscientização destinadas sobretudo ao público dessa idade.Portanto, a sífilis tem se mostrado uma doença alarmante que se estende a todos, não se limitando a fatores sociais, regionais, econômicos ou educacionais.

Fatores de risco

Qualquer pessoa que tenha praticado ou mantenha relações sexuais desprotegidas está sujeita à infecção, portanto, os grupos e fatores de risco para o contágio por IST são:
  • Pacientes cujo parceiro foi diagnosticado recente (seja pela sífilis primária, secundária ou latente);
  • Pacientes infectados pelo vírus HIV;
  • Pacientes expostos a relação sexual desprotegida (seja em casos isolados ou recorrentes, independente do número de parceiros).
As diretrizes para o atendimento a tratamento da sífilis recomendam que os teste de sífilis sejam feitos nos seguintes pacientes:
  • Parceiro(s) sexual(ais) de indivíduo diagnosticado com DST;
  • Paciente com lesão genital;
  • Paciente com erupção cutânea;
  • Paciente jovem com acidente vascular isquêmico;
  • Paciente de qualquer idade que apresente quadros de demência;
  • Gestantes;
  • Paciente com infecção pelo HIV com vida sexual ativa.

Estágios e sintomas

A sífilis pode ser dividida em 4 fases: primária, secundária, latente e terciária.A evolução da doença é lenta e pode apresentar períodos sintomáticos e assintomáticos. O paciente infectado, se não tratado após chegar à sífilis secundária, apresenta 2 períodos de latência, que são o recente (menos de 2 anos da doença) e o tardio (mais de 2 anos).

Sífilis primária

Depois que a pessoa é infectada pelo T. pallidum, há um período em que o agente está no corpo mas não manifesta sintomas, chamado de período de incubação, que pode ser entre 10 e 90 dias da infecção.Em geral, o primeiro e mais evidente sinal de contágio é o surgimento de uma lesão na boca ou próxima ao local que a bactéria invadiu o corpo (boca, pênis, vulva, vagina, ânus ou outras partes da pele).Essa lesão, chamada de cancro duro ou protossifiloma, é geralmente isolada (não há outras feridas pelo corpo) e não coça, arde ou dói. A base da ferida é endurecida e aparente conter secreção serosa que está repleta de bactérias.Além disso, podem surgir pequenas ínguas (caroços) na virilha. Em pouco tempo, geralmente entre de 2 e 6 semanas, as manifestações melhoram e desaparecem espontaneamente.

Sífilis secundária

Se não for diagnosticada e tratada na fase primária, a sífilis evolui para a fase secundária, em que o agente invade os órgãos e líquidos do corpo.Entre 6 semanas e 6 meses depois que a primeira ferida apareceu e cicatrizou espontaneamente, o paciente pode apresentar manchas ao longo do corpo, incluindo a sola dos pés e palma das mãos.Igual à ferida inicial, não há dor ou coceira, mas podem ocorrer sintomas mais intensos de febre, mal-estar, dores de cabeça, náuseas, vômitos e caroços pelo corpo.A pele então apresenta manchas e alterações, como máculas e pápulas, que têm aspecto avermelhado, podendo ser amplas e concentradas (máculas) ou isoladas, como pequenos pontos distribuídos pela pele (pápulas).Essas lesões ou manchas podem formar placas na pele, ou seja, se manifestar em locais próximos e ocupar toda ou grande parte da superfície da pele.Também podem ocorrer manchas em todo o corpo, principalmente na palma das mãos e na planta dos pés.Normalmente, essas manifestações ocorrem entre a 6ª semana e o 6º mês após a primeira lesão (cancro duro) e podem durar por em média 1 a 3 meses.Alguns pacientes podem ainda manifestar sintomas como:
  • Descamação da pele;
  • Dor de cabeça;
  • Dor muscular;
  • Dor de garganta;
  • Mal-estar;
  • Formigamento nos braços e pernas;
  • Alterações na visão e audição;
  • Febre leve, geralmente abaixo de 38 ºC;
  • Falta de apetite;
  • Queda capilar;
  • Perda de memória;
  • Disfunções neurológicas;
  • Perda de peso.
Depois que surgem, essas manifestações tendem a melhorar rapidamente também, semelhante ao estágio da sífilis primária. Mas, ainda que os sinais desapareçam, o agente infeccioso continua no organismo e a doença não foi curada.

Sífilis latente

Quando o paciente que chega à sífilis secundária, não realiza o tratamento e os sinais desaparecem, inicia-se o período latente da infecção. Essa fase é dividida entre recente (até o 2º ano) e tardia (após 2 anos de infecção).É importante ressaltar que nesse estágio a sífilis não apresenta quaisquer sintomas ou manifestação clínica, mas, em alguns poucos pacientes, ela pode ser interrompida ou atravessada por manifestações pontuais características da terceira fase da doença.Aproximadamente 15% a 30% das pessoas infectadas não tratadas chegam ao estágio terciário da doença. Em alguns casos, o paciente pode não passar pelo estágio latente, indo diretamente para a sífilis terciária.

Sífilis terciária

A manifestação da sífilis terciária pode levar longos períodos para ocorrer. Em geral, o tempo médio para essa fase iniciar é entre 2 e 4 anos após a infecção, mas pode demorar mais de 20 anos.Quando ocorre, geralmente ela se manifesta através de inflamação e destruição de tecidos do corpo, em que o paciente apresenta lesões na superfície da pele, nos ossos, alterações e disfunções cardiovasculares e neurológicas.Junto a isso, podem ocorrer consequências relacionadas a essas alterações (como arritmia, problemas cardíacos, dificuldade de memória e concentração). O estágio é grave e pode levar à morte, quando não tratado.Além dos sinais no corpo, geralmente após longos anos sem tratamento (entre 10 e 30 anos), a fase terciária pode ser acompanhada de:
  • Náuseas e vômitos;
  • Rigidez do pescoço, com dificuldade para movimentar a cabeça;
  • Convulsões;
  • Perda auditiva;
  • Vertigem;
  • Insônia;
  • AVC;
  • Reflexos exagerados;
  • Pupilas dilatadas.
Algumas alterações neurológicas podem ocorrer e causar delírios, alucinações, redução da memória, dificuldades de orientação e localização espacial, além de poder afetar a fala e a locomoção.

Neurossífilis

A neurossífilis é caracterizada quando o sistema nervoso central (SNC) é acometido pela bactéria Treponema e pode ocorrer em qualquer período da doença.Sua caracterização é bastante complexa (clínica e teoricamente), logo que se pode nomear como neurossífilis a condição em que o Treponema pallidum atinge o SNC, desencadeando reações diversas.Devido a essa multiplicidade de sintomas, a neurossífilis é chamada de “doença imitadora”, logo que seus sintomas se assemelham a diversas outras condições.A neurossífilis é classificada de acordo com o tempo de infecção precoce (até 1 ano de infecção) ou tardio (mais de 1 ano) — ou de acordo com a presença de sintomas — sintomática ou assintomática.Em média, 40% dos pacientes apresentam o quadro de neurossífilis na 1ª ou 2ª fase da sífilis, com resolução espontânea. Ou seja, o próprio organismo consegue combater e neutralizar os danos da invasão.Aproximadamente 10% dos pacientes que não são tratados com neurossífilis na fase 1ª ou 2ª apresentam a infecção mais tarde.Quando o quadro não se resolve espontaneamente, a neurossífilis pode permanecer assintomática por longos períodos ou se manifestar gradualmente.Entre os sinais mais frequentes da doença estão:
  • Dores de cabeça intensas;
  • Náuseas e vômitos;
  • Rigidez cervical;
  • Convulsões;
  • AVC;
  • Alteração dos movimentos ou reflexos;
  • Dor ocular;
  • Paralisia dos membros;
  • Demência;
  • Redução do controle muscular;
  • Dormência ou formigamento dos membros;
  • Diminuição cognitiva e de concentração.

Sífilis congênita (na gravidez)

A sífilis congênita é quando a infecção atinge o feto ainda na gestação (quando há a passagem da bactéria pela placenta) ou durante o parto. Em geral, quanto mais recente for a infecção da mãe e quando não houver tratamento, mais grave será a manifestação no bebê.Quando a gestante apresenta sífilis, os riscos de aborto, nascimento prematuro ou nascimento seguido de morte são mais elevados.Em geral, até 40% das crianças que nascem com a sífilis não sobrevivem, mas se o diagnóstico e tratamento da mãe forem realizados, os riscos à criança são bastante reduzidos.O encaminhamento terapêutico da sífilis congênita depende do histórico clínico da mãe. Quando a mulher não recebeu ou realizou o tratamento adequado, a criança deve passar por exames e avaliações a fim de investigar o acometimento da saúde. Por isso é essencial que a gestante siga o pré-natal corretamente.Entre os encaminhamentos possíveis estão a coleta e exames de sangue, avaliação neurológica, exame dos ossos (radiografia), avaliação da saúde dos olhos e da audição, podendo ser necessário o internamento hospitalar.O bebê pode apresentar sintomas desde os primeiros momentos de vida ou demorar até 2 anos para manifestá-los. Em geral, são bastante semelhantes às lesões da sífilis primária e secundária, envolvendo também:
  • Manchas arredondadas de cor vermelho pálido ou cor de rosa na pele, incluindo a palma das mãos e a sola dos pés;
  • Irritabilidade fácil;
  • Perda de apetite e da energia para brincar;
  • Pneumonia;
  • Anemia;
  • Problemas nos ossos e nos dentes;
  • Perda da audição;
  • Deficiência mental.

Sífilis ocular

A sífilis ocular é caracterizada pelas inflamações nos olhos ou alterações de visão decorrentes de complicações ou agravamentos da sífilis. Ou seja, não é que o contato e o contágio ocorreram nos olhos.Recentemente, os dados sobre sífilis ocular vêm aumentando no Brasil, sendo que até 2012, apenas 1 pessoa por ano era diagnosticada, mas a partir de 2013 esse número subiu para 8 pacientes.Apesar de poder se manifestar em qualquer estágio da infecção, a sífilis ocular tende a predominar na fase secundária, quando a doença não é tratada.Entre os sinais mais frequentes estão a vermelhidão dos olhos, dor, redução ou dificuldade de focar a visão, embaçamento, sensibilidade à luz e uma considerável diminuição da visão.Além desse sintomas que indicam o comprometimento da visão, o paciente pode contrair outras infecções, como:
  • Uveíte anterior: irritação e inflamação da íris;
  • Uveíte posterior: inflamação ocular que atinge coroide, retina e nervo dos olhos;
  • Neurorretinite: inflamação do nervo e da retina;
  • Ceratite: inflamação da córnea, que a camada mais externa dos olhos;
  • Esclerite: inflamação intensa da esclera, a parte branca dos olhos;
  • Episclerite: inflamação geralmente recorrente que afeta uma das camadas do olhos, a episclera;
  • Neurite: inflamação ou degeneração do nervo dos olhos;
  • Pupila sifilítica de Argyll Robertson: quando a pupila reage mal à luz.
Em geral, se o paciente for rápida e devidamente tratado, a sífilis ocular - assim como os demais sintomas da sífilis - tendem a melhorar gradualmente até a completa remissão.Porém, se não houver intervenção terapêutica adequada, onde a infecção continua debilitando o organismo, a visão pode ser afetada de modo irreversível.

Como é feito o diagnóstico?

Os médicos mais indicados para fazer o diagnóstico e o acompanhamento do paciente são o ginecologista, urologista, infectologista e clínico geral. Inicialmente, o médico irá fazer uma avaliação física e levantar o histórico pessoal do paciente.Como os sintomas e sinais são muito brandos e semelhantes a outras doenças, é importante que qualquer situação de risco (como fazer sexo desprotegido) seja relatada ao profissional.Mas, além disso, é necessário realizar a detecção de antígenos ou anticorpos através de testes e exames de laboratório. Somente assim o diagnóstico de sífilis pode ser confirmado ou descartado.

Exames

Em casos de suspeita de sífilis, exames laboratoriais devem ser realizados para que o diagnóstico seja efetivamente feito ou descartado. Entre os procedimentos adotados estão:

Exame de sangue

Através de uma coleta de sangue normal é possível fazer a contagem de células sanguíneas e verificar se há alterações. Valores alterados nos números de células podem ser indício de infecção e de que o organismo está tentando combatê-la.

Cultura de bactérias

Através de amostras de secreções corporais, geralmente coletadas de alguma ferida ou lesão, é possível avaliar a presença de bactérias. Quando se manifestam, as lesões cutâneas são ricas no agente infeccioso da sífilis e, portanto, a cultura de bactérias é bastante eficaz para confirmar o diagnóstico.

Exame em campo escuro

O exame é eficaz tanto para as lesões primárias quanto para as lesões secundárias da sífilis. São coletadas pequenas amostras das lesões ou feridas. O teste tem uma sensibilidade entre 74% e 97% para o diagnóstico.A variedade se dá, também, porque a identificação da bactéria depende da experiência do profissional que avalia a amostra.Apesar de ser uma teste bastante eficaz e acessível, sendo muito utilizado no diagnóstico da sífilis, ele não é o mais indicado para as lesões da boca (pois a cavidade bucal é habitada por diversas bactérias que podem se misturar e dificultar a especificação).

Pesquisa direta do material corado

O teste apresenta uma sensibilidade menor se comparada à eficácia do teste de campo escuro, no entanto, é uma das alternativas ao diagnóstico. É coletada uma amostra das lesões e aplicado corantes reagentes, analisando os resultados.

VDRL (Venereal Disease Research Laboratory)

O VDRL é um teste imunológico e um dos exames mais usados e recorridos para o diagnóstico da sífilis. Através da coleta de sangue, o material começa a ser diluído e analisado.A diluição termina quando a bactéria não pode mais ser identificada na amostra. Por isso, resultados como 1/8 significam que o sangue foi diluído 8 vezes até que os anticorpos não fossem mais detectados.Mas é preciso ressaltar que o exame pode também apontar um falso positivo se houver infecção por outras doenças, como lúpus, artrite reumatoide ou doenças hepáticas.Testes imunológicos podem ser variáveis de acordo com o paciente, pois dependem do surgimento de anticorpos contra a bactéria. Mas na maioria dos casos, é possível um resultado concreto e seguro após 10 dias do aparecimento da primeira lesão (cancro duro).

FTA-ABS ou TPHA (Antígenos Treponêmicos)

O exame pode ser mais específico e sensível do que o VDRL e apresentar resultado positivo mais rapidamente, quando o paciente estiver infectado.As análises permitem detectar anticorpos específicos do treponemas, através da aplicação de reagentes que deixarão os anticorpos com tonalidades verde-maçã fluorescentes.Nos casos de infecção, os valores de FTA-ABS permanecem positivos para o resto da vida, mesmo que o paciente seja tratado e curado da sífilis.

Teste rápido (TR) de sífilis

Para facilitar e agilizar o diagnóstico da sífilis, há um exame que tem sido largamente usado, sobretudo nos serviços de saúde pública (SUS). A vantagem é sua facilidade e rapidez em mostrar os resultados, precisando de poucos minutos.É possível comprar o kit em farmácias, mas as unidades de atendimento do SUS e centros de triagem e aconselhamento (CTA) oferecem o exame gratuitamente a toda população.O TR é feito com uma pequena amostra de sangue, colhida da ponta do dedo (a quantidade é de 20uL, que corresponde a uma gota). O sangue é depositado no medidor (um aparelho que realizará a leitura da amostra) e aplica-se um líquido para diluir o sangue.Depois de 5 a 20 minutos o resultado é obtido através da aparição de 1 ou 2 riscos no medidor. Se apenas 1 linha surgir, o teste deu negativo ou não-reagente, mas se 2 linhas se formarem, o teste deu reagente à sífilis.Pacientes que têm o TR positivo devem ser encaminhados para exames de confirmação.

Punção lombar

O exame de punção lombar é indicado como exame complementar quando há suspeitas de complicações neurológicas decorrentes da sífilis. Nele, são coletadas amostras do líquido céfalo-raquidiano para serem analisadas em laboratório.

Tem cura?

Sim. Depois de diagnosticada, a sífilis tem um tratamento simples e bastante eficaz, em que a cura chega a 95% dos casos, mesmo na fase terciária. Porém, é importante ressaltar que quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento, menores são os danos ao organismo.Em casos de diagnóstico tardio, as complicações decorrentes da sífilis podem ser irreversíveis, mesmo se a doença for curada.

Qual o tratamento?

Atualmente, as sífilis primária, secundária e latente (com até 1 ano de evolução) são tratadas com a aplicação de Penicilina G Benzatina, em dose única de 2,4 milhões de UI, normalmente dividindo a quantidade em 1,2 milhão em cada glúteo.Pacientes que não podem receber penicilina têm a recomendação de recorrer à Doxiciclina de 100mg, a cada 12 horas, durante 15 dias.Nos casos de sífilis latente tardia (mais de 1 ano de evolução) ou sífilis terciária, o tratamento consiste na aplicação de 2,4 milhões de UI de Penicilina G Benzatina 1 vez por semana, durante 3 semanas (totalizando 7,2 milhões de UI).A alternativa à Penicilina é a Doxiciclina de 100mg, a cada 12 horas durante 30 dias.Vale lembrar que cada caso deve ser previamente avaliado por um médico.É preciso ressaltar também que a dosagem pode manifestar efeitos colaterais, chamada de reação de Jarisch-Herxheimer, como febre, calafrios, dores de cabeça, dores nas articulações e náuseas, mas que tendem a ser bem suportadas.Além das injeções, é necessário realizar exames constantes para avaliar o estado do paciente. Em geral, é necessário manter o controle por até 24 meses após o tratamento.Se o paciente apresentar alergia à penicilina, é possível recorrer à dessensibilização do medicamento, evitando que possam ocorrer quadros de angioedema (inchaço), urticária e anafilaxia em resposta ao tratamento.Em casos de suspeita ou conhecimento da sensibilidade à penicilina, deve-se informar o médico e realizar o teste alérgico.Para pacientes que apresentam neurossífilis, o tratamento consiste na aplicação endovenosa entre 18.000.000 e 24.000.000 de UI de penicilina, em doses fracionadas. Em média, o paciente recebe cerca de 4.000.000 de UI a cada 4 horas, por até 14 dias, conforme orientação médica.Mas os quadros são bastante variáveis e as dosagens podem ser ajustadas de acordo com cada caso. Em geral, há uma melhoria e redução dos sintomas neurológicos decorrentes da neurossífilis, mas é frequente que não haja recuperação total mesmo depois de curada.

Medicamentos

O Benzetacil é, atualmente, o medicamento mais empregado no tratamento da sífilis, mas em casos de alergia, sensibilidade ou necessidade de outros medicamentos, podem ser utilizados também:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Após o resultado positivo para a sífilis, o tratamento correto e bem guiado é fundamental. Depois de finalizadas as semanas de medicação, a cura da sífilis se dá pelo desaparecimento dos sintomas e a redução dos valores infecciosos, que é medida pelos resultados do exame VDRL:
  • VDRL era 1/32 e após o tratamento caiu para 1/8.
  • VDRL era 1/64 e após o tratamento caiu para 1/16.
  • VDRL era 1/128 e após o tratamento caiu para 1/32.
Em geral, quanto mais recente for a infecção, mais rápido os valores de VDRL baixam, mas não é necessário que se chegue a zero ou valores negativos para atestar a cura.Ainda assim, o paciente precisa manter uma rotina de exames e acompanhamento para avaliar as condições do organismo. No primeiro ano após o tratamento, o exame de VDRL deve ser feito a cada 3 meses e, no segundo ano, a cada 6 meses, para acompanhar os títulos da doença.É importante saber que mesmo usando camisinha, o paciente diagnosticado com sífilis deve evitar ter relações sexuais durante o tratamento até que os resultados apontem que a infecção foi curada.Após confirmada a cura, o paciente volta a ter uma vida normal e deve manter os cuidados necessários à toda a população, como proteção no ato sexual e o não compartilhamento de objetos íntimos.Também é importante ressaltar que diagnósticos tardios podem fazer com que o paciente apresente títulos positivos, ainda que bastante baixos, para o resto da vida. Assim, mesmo com a doença curada, os exames de VDRL podem indicar ¼ ou menos.

Prognóstico

Se a sífilis for diagnosticada nos estágios iniciais (primária, secundária e até o começo do estágio latente) o prognóstico é, geralmente, excelente desde que o tratamento seja feito adequadamente.Na sífilis terciária, o combate à infecção pode ter efeito, mas há maiores riscos de haver consequências permanentes da doença, como alterações neurológicas irreversíveis. Caso não seja tratada, a infecção pode levar o paciente à morte.

Complicações

Se não for devidamente diagnosticada ou tratada, a sífilis pode comprometer diversas funções e sistemas do corpo, debilitando o paciente, como:

Inchaços nos órgãos e tecidos

A doença pode causar inchaços em diferentes órgãos e tecidos do corpo. Em geral, o tratamento reduz e inibe os edemas, mas na falta de tratamento, o quadro pode evoluir para disfunções dos órgãos e até tumores.

Alterações neurológicas

A sífilis pode causar alterações neurológicas de diversas intensidades, como quadros de AVC, meningite, surdez, alterações de visão, demência, alterações motoras e redução de sensibilidade, dormência nas mãos e pés, além de redução do controle muscular e do equilíbrio.O tratamento geralmente melhora e alivia os sintomas, mas se o paciente demorar muito para iniciá-lo, os sintomas podem ser persistentes.

Alterações cardiovasculares

A sífilis pode causar alterações no funcionamento cardiovascular devido a inflamações principalmente da aorta. Podem surgir infiltração celular dos tecidos do coração, fechamento e diminuição da elasticidade dos vasos sanguíneos e consequente necrose dos tecidos.Podem ocorrer insuficiência da aorta, redução da resistência das paredes do coração e formação de aneurismas.

Risco à gravidez e sífilis congênita

A sífilis eleva os riscos de aborto, nascimento prematuro e nascimento seguido de morte. Os bebês têm risco de apresentar sífilis congênita, que pode ocasionar má formação, atrasos no desenvolvimento neuromotor, convulsões, erupções cutâneas, febre, aumento do tamanho do fígado, anemia, irritação e outros sintomas respectivos à sífilis.Crianças não diagnosticadas podem desenvolver complicações tardias, afetando os olhos, ossos, coração, o sistema auditivo, neurológico e cardíaco.

Maior facilidade de transmissão de HIV

Como a sífilis causa lesões na superfície da pele, o organismo fica mais sensível e suscetível à contaminação por agentes infecciosos. Mas não é só pela vulnerabilidade do organismo que o risco de contrair HIV é aumentado, pois quando o agente infeccioso da sífilis se combina ao do HIV, há uma maior facilidade de transmissão.É como se o vírus da sífilis potencializasse a capacidade de infecção do HIV, elevando os riscos de contaminação por estas doenças.Além disso, se o paciente com sífilis contrair o vírus do HIV, a doença tende a sofrer alterações em seu curso sintomático. Ou seja, sintomas comuns das fases primária, secundária e terciária podem aparecer juntos.

Como prevenir a sífilis?

O modo mais fácil de prevenir a sífilis e as outras ISTs é adotando o uso de preservativos em todas as relações sexuais.Ainda que o paciente possa apresentar feridas e lesões em regiões não cobertas pelo preservativo, é pelo sexo desprotegido que ocorre a grande maioria das contaminações.As camisinhas femininas ou masculinas podem ser encontradas em farmácias ou unidades de saúde (inclusive, distribuídas gratuitamente), sendo uma opção viável e acessível, recomendada pelo Ministério da Saúde como medida preventiva de ISTs.Para prevenir e reduzir os casos de sífilis congênita, as gestantes devem realizar o pré-natal e exames de acompanhamento necessários. Vale lembrar que os filhos de mães infectadas devem receber também acompanhamento clínico.Caso o parceiro ou parceira seja diagnosticado com sífilis, é importante evitar relações sexuais até que o tratamento seja finalizado e a cura seja confirmada.

Perguntas frequentes

Se eu usar preservativo, posso manter relações sexuais durante o tratamento?

Não. O mais recomendado é que não haja contato íntimo e nem compartilhamento de objetos até que a cura seja confirmada. Mesmo com o uso de preservativos, há feridas que podem se manifestar em locais de difícil identificação (como na boca).Para evitar riscos de contaminar outras pessoas, o ideal é finalizar todo o tratamento e se certificar que a infecção foi curada.

Beijo na boca transmite sífilis?

Sim. Se o paciente tiver lesões na boca, o agente infeccioso pode ser transmitido durante o beijo.

Dá pra pegar sífilis pela escova de dentes?

É difícil, mas não impossível. As bactérias precisam de locais úmidos para viver, por isso é preciso que o paciente tenha uma lesão na boca e que a escova seja compartilhada em pouco tempo para que haja o potencial de contágio.

É possível pegar sifilis mais de uma vez?

Sim. Mesmo que o paciente realize corretamente o tratamento, o organismo não cria imunidade para a doença. Portanto, se for exposto novamente ao agente, poderá ser infectado.
O contágio de IST ainda é alto e alarmante, considerando a facilidade e o acesso que grande parte da população tem às medidas de proteção.A sífilis é uma infecção grave que pode ser facilmente adquirida, mas a conscientização sobre a importância do uso de camisinhas e os cuidados com a saúde são táticas para reduzir os riscos de forma simples e eficaz.Saiba mais dicas de saúde e prevenção no Minuto Saudável!

Fontes consultadas

Publicado originalmente em: 30/06/2017 | Última atualização: 30/08/2018
Imagem do profissional Paulo Caproni
Este artigo foi escrito por:

Dr. Paulo Caproni

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